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Torcedor do Goiás morre baleado em ônibus a caminho do estádio

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Torcedor do Goiás morre baleado em ônibus a caminho do estádio

Posted on 16 abril 2012 by hugo

Foi uma camisa do Vila Nova que estancou o sangue do peito de Gabriel Gonçalves Mendes, de 14 anos, torcedor do Goiás e membro da torcida organizada Força Jovem. O adolescente, a mais nova vítima da guerra travada entre torcedores dos dois times de maior torcida da capital (veja quadro), morreu na tarde de ontem, em Aparecida de Goiânia, com um tiro no peito.

Gabriel Mendes, ao lado de outros cerca de 70 torcedores do Goiás, estava num ônibus de transporte coletivo a caminho do Estádio Anníbal Batista de Toledo, por volta de 15h30, para assistir à partida entre Goiás e Aparecidense, pela última rodada do returno do Campeonato Goiano. Num quebra-mola da Avenida Diamante, no Setor Pontal Sul, uma motocicleta vermelha emparelhou com o ônibus, o passageiro levantou – ficou no mesmo nível da janela do ônibus – e atirou três vezes.

“Eu estava devagar. Deu tempo dos caras encostarem. Fiquei assustado demais porque o ônibus estava cheio, tinha muitos torcedores, mas também passageiros comuns”, contou o motorista Marco Aurélio de Souza, de26 anos, que fazia a rota 651, entre os terminais Isidória e Araguaia.

O motorista ainda conduziu o veículo por cerca de 200 metros, mas os torcedores começaram a gritar pedindo que ele parasse porque Gabriel estava ferido. “Eles quebraram janelas, tiraram o menino e logo parou um carro particular que o levou para o Huapa (Hospital de Urgências de Aparecida de Goiânia).”

O Huapa fica bem próximo ao local dos tiros. O atendimento foi imediato, mas Gabriel, que levou um tiro no mamilo esquerdo, já estava morto. As tatuagens nas pernas e o calção que usava revelavam a paixão pela Força Jovem. Os tiros também atingiram Lucas Conceição do Nascimento, de 17 anos, que sofreu um pequeno ferimento no dedo, sem maiores consequências.

Camisa do Vila Nova

Gabriel Mendes chegou ao Huapa com uma camisa do Vila Nova no peito. Ela foi colocada pelos amigos na tentativa de estancar o sangue. Para a polícia, a peça pode ter sido roubada de torcedores pelo grupo que estava no ônibus e, no desespero, foi usada para evitar sua morte.

Mais tarde, após ser comunicada da morte do filho, a diarista Sirlei Gonçalves Rios, de 38 anos, segurava a camisa vilanovense ensaguentada e dizia aos prantos que “tinha vontade de esfregá-la na cara daqueles amigos que o levaram para o estádio”.

Na porta do Huapa, Sirlei era o retrato da dor. Seu choro atraiu a atenção das dezenas de pessoas que estavam na unidade de saúde e incomodou uma pequena coruja pousada no muro do Huapa. Ela e a avó de Gabriel temiam o pior. “Nós pedimos tanto para ele abandonar a torcida. É mais uma mãe que perde um filho”, disse a mãe.

Integrantes da Força Jovem Goiás, entre eles alguns que estavam no interior do ônibus, chegaram a ir ao Huapa. Eles não acreditam que os disparos eram direcionados a alguém específico e não arriscaram mencionar nenhum nome de possíveis responsáveis pelos tiros.

De acordo com o sargento da Polícia Militar, João Alberto da Silva, logo após os disparos, a motocicleta desapareceu entre as vias de terra do Setor Pontal Sul. Numa Ford Ranger preta, os torcedores do Goiás deixaram o Huapa cerca de uma hora após a constatação da morte de Gabriel. “Se estivéssemos no chão, esses caras não fariam nada”, comentou um deles num prenúncio de que a guerra de torcidas está longe de terminar.

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