A temporada de 2011 começou ontem para o Goiás. O primeiro passo da diretoria após a perda do título da Copa Sul-Americana para o Independiente foi a renovação por dois anos com o goleiro Harlei, que ficará no clube até o fim de 2012, quando encerrará a carreira como jogador. Agora, o principal desejo do alviverde é ter o atacante Rafael Moura, que tem a reforma do vínculo mais complicada e realmente não deve ficar. Outra prioridade é o zagueiro Marcão, que tem boas chances de permanecer.
Otacílio Neto, apesar de não ter se firmado na temporada, é um jogador interessante para o técnico Artur Neto, que pode querer observá-lo melhor, já que o atacante foi bem nos jogos com o treinador. Os demais 13 jogadores que terão seus contratos encerrados no fim do mês não devem permanecer no clube, que inicia sua pré-temporada no dia 3 e pretende que a maior parte das contratações se apresente nesta data.
A renovação de Harlei foi rápida, ainda pela manhã. Aos 38 anos, o jogador tem 691 jogos pelo clube e mais de 11 anos vividos no alviverde – a estreia foi no dia 17 de outubro de 1999, na vitória por 3 a 0 sobre o Santa Cruz, pela Série B do Brasileiro. A Segundona é a competição que ele volta a disputar pelo clube. “Agora o sonho é devolver o Goiás para a Série A. Não vou nem falar num título de grande expressão, porque isso fugiu das nossas mãos dois dias atrás”, disse o jogador, que recusou uma proposta de um time do futebol dos Estados Unidos.
Harlei disse que, na viagem de volta da Argentina, recebeu um pedido do presidente Hailé Pinheiro para que ficasse no clube. “Ele pediu que eu renovasse, pela minha importância, pela minha seriedade. Disse que contava muito comigo”, revelou Harlei, que acredita que tal reconhecimento “vale mais do que qualquer dinheiro”.
O goleiro afirmou que o contrato tem a mesma base salarial do anterior, de 2006 a 2010. “Se tivesse sido um ano de sucesso, mereceríamos reajuste. Como não tivemos, renovei pelo mesmo que eu ganho.” Se o Goiás voltar à Série A no ano que vem, clube e jogador podem conversar para negociar um possível aumento de salário.
Rafael Moura
Com direitos federativos e econômicos vinculados à MSI, o artilheiro da Copa Sul-Americana (8 gols), Rafael Moura, tem a permanência no Goiás quase impossível. Ontem, o Cruzeiro manifestou interesse em ter o jogador, que deve ter propostas de outros clubes brasileiros e de times do exterior. “Aqui ele foi o cara. Ele joga bem onde ele possa ser a referência”, disse o conselheiro Edmo Mendonça Pinheiro, que conduzirá as negociações. “Eu não desisti. Ele tem interesse de ficar, mas não depende só da vontade dele. Tem um grupo que o comprou, que é dono do passe dele. Se nós tivéssemos conseguido a vaga na Libertadores, diria que teríamos mais de 90% de ficar com ele”, respondeu o técnico Artur Neto.
Garotos sobem para profissional
O zagueiro Matheus e o meia-atacante Felipe Amorim, de 19 anos, e o atacante Assuério, de 17 anos, estarão com o grupo profissional do Goiás no dia 3 de janeiro, quando começa a pré-temporada para 2011. Os três tiveram chances nos dois últimos jogos do alviverde no Brasileirão, quando o time já estava rebaixado, e ganharam um lugar para compor a equipe principal.
A presença dos garotos entre os profissionais e outros detalhes foram discutidos ontem, na Serrinha, numa reunião que durou mais de quatro horas.
Os dirigentes Edmo Mendonça Pinheiro, Marcos Figueiredo e Orisley Santos passaram o tempo conversando com a comissão técnica: o técnico Artur Neto, o auxiliar Capitão e o preparador físico Fabrício Mendes.
A principal referência para a montagem do time para 2011 é a limintação dos gastos – fala-se em diminuir a folha salarial do futebol em quase 50%. “Dentro da realidade financeira do Goiás, precisamos montar um time competitivo para voltar à 1ª Divisão e já tentar conquistar novamente o Goiano”, afirmou Edmo Mendonça Pinheiro. “O Artur tem de garimpar. Podemos conseguir alguém que não está sendo aproveitado e fazer uma parceria. Foi assim com o Rafael Moura, que veio com salários pagos pelo Goiás pela empresa MSI.
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Depois de 11 anos no Goiás, Harlei faz do uniforme verde a referência para se sentir em casa e ser um bom anfitrião. Até mesmo quando está longe de Goiânia e se encontra em Buenos Aires, o goleiro de 38 anos recebe os torcedores, dá autógrafos, tira fotos, conversa com dirigentes. Na expectativa de conquistar o título mais importante de sua carreira nesta quarta-feira, contra o Independiente, em Avellaneda, o ídolo esmeraldino conversou com o GLOBOESPORTE.COM sobre o frio na barriga pela final da Copa Sul-Americana e sobre a tristeza do rebaixamento para a Série B do Brasileiro. E revelou também que, mesmo com o contrato se encerrando em dezembro próximo, ainda não foi procurado pela diretoria, mas não se vê vestindo outra camisa que não seja a do Goiás. Confira a entrevista com o homem que pode levantar o troféu de sua vida em poucas horas.
A luta do Goiás contra o rebaixamento não é um drama novo para o goleiro Harlei. O capitão da equipe estava no time de 2007 que se livrou do descenso apenas na última rodada do Brasileirão e lembrou-se da campanha de três anos atrás para apostar em uma nova recuperação do clube.
Se não fosse o equilíbrio demonstrado, o estrago que o Goiás fez no São Paulo, sábado, no Morumbi, poderia muito bem ter acontecido com o próprio time de Jorginho. Na zona de rebaixamento da Série A há um mês e meio, o clube usou as 72 horas que separaram a derrota para o rival Atlético-GO para se recuperar psicologicamente e ser soberano na rodada seguinte, fazendo 3 a 0 e mantendo viva a esperança de escapar da degola. O goleiro Harlei apontou de onde o grupo tirou forças.






