Com 39 anos, jogador tem mais um ano de contrato com o Verde, mas diz que não permanece no Esmeraldino caso Hailé Pinheiro deixe o clube.
O Goiás vive um clima de incerteza quanto ao seu futuro. No próximo dia 20 de dezembro – data provável – o clube passará por eleições, e dependendo do resultado, o torcedor esmeraldino poderá perder um de seus maiores ídolos. Aos 39 anos – faz 40 em março -, o goleiro Harlei tem apenas mais um ano de contrato com o time alviverde. A intenção é cumpri-lo, mas com uma condição: a permanência de Hailé Pinheiro na vida do clube.
- A final da Sul-Americana era para ter sido o meu último jogo pelo Goiás, porque eu ia embora, estava tudo acertado, mas de repente o seu Hailé (Pinheiro) pediu pra eu ficar, articulou tudo para que eu ficasse, e permaneci no Goiás. Agora, se ele sair, eu saio junto com ele. Eu não tenho como ficar no Goiás, eu só fiquei porque ele pediu pra ficar. Tinham as pessoas que não queriam que eu ficasse, e o seu Hailé cuidou de tudo – revelou o goleiro.
Harlei disse que quer a garantia de que o atual presidente continue ativo na vida política do Goiás, mesmo que não seja o próximo mandatário máximo do clube. Caso isto não ocorra, o goleiro garante que deixa o time junto com Hailé, mesmo com contrato até o final de 2012, encerrando um ciclo de 12 anos no time goiano.
- O meu contrato é um contrato que não tem multa, não tem cláusula rescisória. Portanto se o último ato do seu Hailé no Goiás for assinar a rescisão do meu contrato, eu saio junto com ele – assegurou o ídolo esmeraldino.
Se depender das declarações de Hailé, esta é uma possibilidade concreta. O presidente alviverde já revelou que não pretende continuar na presidência do clube, e quer se afastar de vez das atividades do Goiás. Pessoas próximas ao comandante, como o conselheiro e sobrinho Edmo Pinheiro, também já comentaram sobre a saída do dirigente. Apesar disso, Harlei prefere deixar para se preocupar com este fato só depois de suas férias.
- Eu não conversei com ele, mas o seu Hailé é uma incógnita. Na mesma hora em que ele está de cabeça baixa, ele levanta novamente, então não dá para saber. Eu estou saindo de férias, viajo hoje (segunda-feira), só retorno no dia 23, vou ligar para o pessoal e ver como foram as eleições, e só depois a gente vai saber como vai ser – disse o camisa número 1 do Goiás.
Se o seu Hailé sair, eu saio junto com ele. Eu não tenho como ficar no Goiás, eu só fiquei porque ele pediu pra ficar”
Harlei
‘Ainda me sinto útil’
A concretização deste cenário – saídas de Hailé Pinheiro e Harlei do Goiás – não significa que a carreira do goleiro estaria encerrada. Harlei não descarta atuar por outro clube, caso apareça uma boa proposta. A possibilidade de continuar com a carreira viva de jogador de futebol vale também caso ele cumpra o contrato com o clube esmeraldino em 2012, e encontre outro destino em 2013.
- Com certeza eu vou jogar, me sinto ainda muito útil, estou totalmente ativo, assim como eu continuaria com a camisa do Goiás agora caso dê tudo certo. Também faz parte do meu pensamento continuar depois (em 2013), se eu achar que tenho condições, e surja algo interessante. A minha família vive do futebol, enquanto eu puder render, eu vou continuar – comentou o arqueiro.
Harlei tem 740 jogos pelo Goiás, e caso continue sua história no clube, pretende atingir a marca de 800 partidas pelo clube goiano, número que ele admite nunca ter imaginado alcançar. Mesmo decisivo em continuar ativo como jogador de futebol, o goleiro faz planos para quando abandonar os gramados, mas diz que ainda não é o momento de pensar nisso.
- Vou descansar. Essa é a minha meta. Vamos ver se vai aparecer novos projetos, quero tocar a minha empresa, e depois pensar no que vou fazer. Posso virar treinador, quero fazer alguma coisa dentro do futebol, estou há mais de 20 anos no futebol, isso é a minha vida. Mas não tracei planos, objetivos – revelou.
A temporada
Após 11 anos ininterruptos atuando pela Série A, Harlei viu sua equipe cair para a Segundona, e não conquistar o acesso imediatamente. A situação, segundo o goleiro, foi consequência de vários erros cometidos durante o ano de 2010, quando o time esmeraldino foi rebaixado. Apesar da falta de títulos, e da permanência na Série B, Harlei ficou satisfeito com o desempenho do Goiás na temporada, principalmente nas mãos de Enderson Moreira.
- Tivemos muitas dificuldades para encaixar o nosso conjunto, e quando encaixamos o campeonato, já estava praticamente definido. Embora a gente não tenha conquistado nada de expressivo, fiquei muito satisfeito com o retorno que eu pude dar. O Enderson foi o grande responsável por resgatar a confiança, o auto astral, o otimismo desse grupo, o Enderson realmente é um treinador que se mostrou com uma qualidade invejável, tem tudo pra se tornar um dos grandes treinadores do futebol brasileiro – avaliou.
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Depois de 47 clássicos entre Goiás e Vila Nova, o sentimento do goleiro Harlei não é de repetição às vésperas de mais um confronto dos dois arquirrivais goianos. “Algum tipo de aprendizado vai acontecer”, comenta o jogador, sobre a partida de amanhã, às 16h20, no Serra Dourada. Hoje, aos 39 anos, 11 deles no Goiás, o jogador espera passar despercebido no jogo decisivo. “Vou procurar passar tranquilidade e fazer o mais simples possível. O melhor é fazer como o bom árbitro, passar despercebido”, afirma.
Os jogadores do Goiás ainda buscam explicações para a disparidade no desempenho do time dentro e fora de casa. Na Série B do Brasileiro, o time esmeraldino obteve duas vitórias no Serra Dourada. Já nos domínios do adversário, foram duas derrotas – para Náutico e, terça-feira, para o ABC. O discurso adotado pelos atletas evidencia a tentativa de transformar a diferença num trauma.
Reforçado pela volta do goleiro Harlei e atacante Hugo, time tenta primeira vitória fora de casa na Série B contra o ABC.
O retorno de Harlei aos gramados já é tratado como questão de tempo no Goiás. Recuperado da contusão muscular que sofreu no mês passado, na partida contra o São Paulo, apenas a parte física impede o goleiro de reassumir a camisa número um. A previsão que isso aconteça está marcada para a quarta rodada, no confronto diante do ABC, em Natal. Enquanto a volta não ocorre, o atual titular, Pedro Henrique, se agarra na regularidade que apresentou para continuar na equipe principal.
Após um começo de temporada turbulento, o Goiás tem a chance hoje de coroar a classificação antecipada às semifinais do Campeonato Goiano. O Verdão, em 3º lugar na tabela, com 29 pontos, recebe o Santa Helena, às 16 horas, na Serrinha. O Fantasma do sudoeste vem de duas vitórias seguidas e ocupa a 8ª colocação, com 14 pontos. Para se garantir entre os quatro melhores do torneio, o Goiás precisa vencer e torcer para que o Crac não derrote o Trindade, em Catalão.
É possível ser, ao mesmo tempo, ídolo e fã de um clube. Harlei é a prova disso. No Goiás, o goleiro faz parte de um recorte de quase 12 anos na história de conquistas e fracassos do clube – está lá desde 1999 – e sente pelo alviverde uma gratidão incomum nos tempos de vida cigana no futebol. O período vivido como esmeraldino faz com que ele alcance, quarta-feira, quando entrar em campo contra a Anapolina, na Serrinha, pelo Goianão, a marca de 700 jogos com a camisa do Goiás. “É a minha primeira pele, e não segunda. Em 80% do tempo, se você olhar para a minha roupa, pelo menos uma peça que tem o emblema do Goiás”, resume Harlei, que fará 39 anos no dia 30.
Muitas dúvidas pairam na cabeça do torcedor esmeraldino neste início de temporada. A principal delas é sobre qual defesa entrará em campo nesse Goianão: a mais vazada do Brasil – com 116 gols sofridos em 74 partidas –, ou se é a retaguarda que conseguiu levar o time a final da Copa Sul-Americana?
A temporada de 2011 começou ontem para o Goiás. O primeiro passo da diretoria após a perda do título da Copa Sul-Americana para o Independiente foi a renovação por dois anos com o goleiro Harlei, que ficará no clube até o fim de 2012, quando encerrará a carreira como jogador. Agora, o principal desejo do alviverde é ter o atacante Rafael Moura, que tem a reforma do vínculo mais complicada e realmente não deve ficar. Outra prioridade é o zagueiro Marcão, que tem boas chances de permanecer.

