Os desportistas goianos reclamam da falta de prioridade para os recursos financeiros do Estado aos competidores e equipes de alto rendimento. A infraestrutura esportiva não é a mais adequada para uma região que tem atletas que despontam nacionalmente. As obras do Centro de Excelência Esportiva, que começaram em 1999, se arrastam por causa de problemas jurídicos e da burocracia. Já o autódromo de Goiânia recebe críticas pela péssima situação.
As obras do Centro de Excelência Esportiva de Goiânia recebem críticas há anos pelo descaso do governo. Apenas a 1ª etapa, a reforma do Ginásio Rio Vermelho, foi concluída e inaugurada em 2002. A briga na Justiça entre o Estado e a empresa responsável pela construção do complexo esportivo impediu que a 2ª fase – a finalização do Laboratório de Capacitação – , fosse entregue. Desde o ano passado, as agências goianas de Esporte e Lazer (Agel) e de Transportes e Obras (Agetop) trabalham na atualização dos projetos e na nova licitação. Segundo o presidente da Agel, José Roberto de Athayde, em janeiro, o laboratório estará praticamente pronto. Confira trechos da entrevista de José Roberto, que fala ainda sobre a reconstrução do Estádio Olímpico, a reforma do autódromo e a lei de incentivo financeiro aos atletas.
PERFIL:
José Roberto
José Roberto de Athayde Filho, de 43 anos, nasceu em Uberaba (MG). Ele passou no concurso da Caixa Econômica Federal em1989 e trabalhou até 1995. Ele começou a trajetória política em 1994 quando assessorou a secretaria de Finanças da Prefeitura de Goiânia. Também trabalhou com o deputado federal Jovair Arantes. Atualmente, é empresário e comanda a Agência Goiana de Esporte e Lazer (Agel).
Beatriz Passos – Quando teremos um novo autódromo? É vergonhoso aquele autódromo sujo. Vim de Porto Alegre e adoro corridas, mas não tenho coragem de ir ao autódromo de Goiânia.
Concordo com você. O que conseguimos no ano passado foi acabar com a falta de segurança, com o trafico de drogas, com o mau uso do local por baderneiros e com cenas pornográficas que havia ali. Hoje temos segurança 24 horas todos os dias. Este ano, colocamos a estrutura do Estádio Serra Dourada para fazer roçagem e limpeza do autódromo. Aliás, estamos fechando parceria com alguns empresários e com a Agetop (Agência Goiana de Transportes e Obras) para recuperarmos os trechos do asfalto que estão danificados. Com isso, recuperaremos a confiança e a liberação da CBA (Confederação Brasileira de Automobilismo) para trazer competições nacionais. Isso, consequentemente, irá movimentar Goiânia e trazer recursos para o autódromo.
Existe em andamento um estudo da permuta do autódromo existente pela construção de um novo em uma área do Estado em Senador Canedo. O governo está verificando se o projeto será auto-sustentável, ou seja, capaz de produzir resultado para que não ocorra como no caso do atual, que deteriorou ao longo de sua existência, por falta de uma administração com sustentabilidade, na qual todo mundo usufruiu do autódromo, mas a conservação sempre recaiu nos cofres do governo. Na atualidade não é possível mais essa política, pois o Estado é deficitário e tem prioridades como saúde, segurança e educação. O autódromo deve ter a competência de arrecadar para se sustentar.
Daniela Dallago – Quando será realizada a etapa final dos Jogos Abertos de Goiás de 2011? E como estão os preparativos para a participação de Goiás nos Jogos Abertos Nacionais?
No ano passado tivemos dificuldade no planejamento dos Jogos Abertos, principalmente no tocante a procedimentos com as licitações necessárias para a execução do evento. Por ser o primeiro ano de governo, tentamos organizar a casa e não dispúnhamos de funcionários com conhecimento na comissão de licitação. Procuramos fazer os Jogos Abertos de 2011 otimizados com economia grande de recursos. Este mês procederemos o pagamento dos árbitros que trabalharam em 2011 e, com isso, teremos condição de concluir a fase final, que será em Itumbiara e Goiânia. Garanto que em 2012 faremos os Jogos Abertos com mais qualidade. Quanto aos jogos nacionais, enviaremos as modalidades que temos condições de disputa, que pese, não mais uma ou mais equipes de 2011, mais sim uma seleção dos melhores atletas de algumas modalidades.
Jorge Vinicius Santana Martins – Como todos sabemos, os Jogos Abertos de Goiás ano passado não tiveram a fase final. Falta de planejamento organizacional? Faltam profissionais da área do esporte engajados nesses tipo de competições? Mau uso da verba destinada? Ou improbidade administrativa de dirigentes dessa agência (Agel)?
Realmente, faltam profissionais. Isso é um problema sério na área de esporte, pois hoje é grande a quantidade de acadêmicos de Educação Física que se direcionam as academias de ginásticas, pois são melhores remunerados. Na Agel, os pouquíssimos professores que dispomos são profissionais que, em muitos casos, já estão se aposentando e se dedicam, principalmente, à demanda da iniciação esportiva nas escolinhas das praças do Centro de Excelência, no Rio Vermelho, no Parque Aquático, Setor Pedro Ludovico e dos Funcionários. A escassez de bons projetos é muito grande. Atualmente, estamos procurando as universidades para ver se conseguimos melhorar esta realidade. Em 2011 foi o ano dos Jogos (Abertos) que a Agel menos gastou.
Macilene Oliveira – Quais os prazos definidos para conclusão de cada etapa do Centro de Excelência? O que o senhor pode prometer em termos de conclusão dessa obra?
Tenho boas notícias com relação ao Centro de Excelência. A publicação da licitação foi feita na semana passada. Aguardamos o prazo legal da lei de licitação para licitarmos a conclusão do laboratório e do Parque Aquático. Dia 4 de maio, às 9 horas, na Agetop, será realizada a concorrência para a conclusão do laboratório. Uma informação importante é que o prazo contratual para quem vencer a concorrência é de 240 dias, ou, oito meses. Isso significa que em janeiro o laboratório estará praticamente pronto. O governador autorizou a licitação para reconstrução do Estádio Olímpico com recursos próprios do tesouro. Agora, a Agetop iniciará a atualização do projeto e dos custos para podermos licitar. É burocrático, mas há a decisão política de execução no menor tempo possível. Dispomos da colaboração dos deputados federais e senadores na captação de recursos federais, por meio de emenda de bancada, destinada ao Centro de Excelência. Acredito que até o final do ano estaremos inaugurando o prédio do laboratório e trabalhando no Parque Aquático e na reconstrução do estádio. Estamos iniciando os estudos de qual a melhor gestão após o complexo estar pronto, quem irá administrá-lo e quais os principais objetivos, além do treinamento de professores e atletas de alto rendimento.
Macilene Oliveira - Por que o projeto do Centro de Excelência teve de ser refeito? O que foi melhorado nele?
O projeto teve de ser atualizado, principalmente, para atender a lei de licitação e seguindo a orientação do Ministério Publico Federal. Com isso, dividimos em três etapas: o laboratório, o Parque Aquático e o Ginásio Rio Vermelho, e, a reconstrução do Estádio Olímpico. A lei determina o detalhamento do que vai se gastar na obra e a colocação de um preço de tabela em cada item e material gasto na construção da obra. É uma tarefa árdua que demanda tempo, mas se bem feito ganhamos na execução, não deixando duvida aos órgãos fiscalizadores.
Edson Netto Amaral – Agora que Goiânia foi excluída da Copa América de 2015, o governo ainda vai realizar a grande reforma prometida para o Estádio Serra Dourada?
Com certeza foi um prejuízo grande ao Serra Dourada, ao Estado, aos municípios turísticos e a Goiânia. Porém, o Serra Dourada é o nosso principal patrimônio esportivo e o cartão-postal mais bonito de Goiânia. É uma obra que traz grande orgulho aos esportistas goianos. Com a construção dos 12 estádios da Copa do Mundo de 2014, o nosso Serra perderá muito em sua competitividade de qualidade em relação a eles. Por isso, é prioridade na atual gestão da Agel a manutenção e modernização do Serra. O governador é sensível à importância deste patrimônio para o desenvolvimento do esporte e a uma das principais opções de lazer dos goianienses. Só pararemos de reformar o Serra no dia que deixarmos a presidência da Agel. Este ano, teremos em setembro mais um jogo da seleção brasileira, desta vez contra a Argentina. Acredito que até esta data já teremos placares de led modernos no Serra e outros benefícios aos torcedores.
Gustavo Melo - Estamos vivendo uma gravíssima epidemia de violência devido ao aumento no consumo de drogas, o crack em especial. Sabe-se que o incentivo à prática esportiva é um excelente meio de combater o tráfico de drogas por fornecer uma alternativa à vida dos jovens. O que a Agel tem feito nesse sentido?
No ano passado, quase 6 mil alunos se matricularam gratuitamente nas escolas de iniciação esportiva da Agel. Queremos mais. O esporte, além de ser a política mais barata contra as drogas, é também a mais eficaz. Fazemos parte do programa de combate às drogas coordenado pelo Ministério Público Estadual. Para 2012, definimos como prioridade das ações da Agel a iniciação esportiva. Vamos estabelecer convênios, em princípio, com os clubes Jaó, de Engenharia e Cruzeiro do Sul e com Atlético Clube Goianiense. Fizemos contato também com o Goiás, o Vila Nova e várias federações de modalidades diversas, como a natação, capoeira, judô, basquete, vôlei… Esse procedimento será eficiente para ocupar o tempo dessa meninada, fora do horário das aulas, com reflexo direto na diminuição da probabilidade do risco das drogas.
Luiz Goncalves – Até quando a comunidade vai esperar da Agel a reforma da quadra da Vila Legionárias, no Conjunto Fabiana?
A quadra da Vila Legionárias não constava como patrimônio da Agel. Porém, independente disso, e graças a ação do vereador Virmondes (Cruvinel Filho/PSD), que nos procurou nesta semana trazendo a preocupação. Imediatamente, fizemos o compromisso de ajudar ao indicar alguém para administrá-la e recuperá-la.
Rodrigo Medeiros – Todo mundo reclama dos incentivos esportivos. Tenho amigos que até não receberam a bolsa esporte. Por que acontece isso?
A Agel dispõe de dois instrumentos importantes de incentivo ao esporte: Pró-Atleta e o Pró-Esporte. Ambos são insuficientes para a grande demanda. Precisamos selecionar. No ano passado, a proporção era de 1 para 100, ou seja, tínhamos 100 milhões em pedidos e dispúnhamos de R$ 1,5 milhão para aplicar. O Pró-Atléta depende da liberação orçamentária, o que ocorre geralmente em fevereiro ou março. Este ano, encerramos o cadastramento dia 5 de março. Com isso, estamos tentando a alteração para que o programa tenha pelo menos um ano de duração.
Quanto ao Pró-Esporte, a lei atende a vários segmentos, por exemplo, a realização de uma caminhada ecológica ao redor do Vaca Brava, a criação de uma escolinha de futebol para crianças carentes, o patrocínio de um atleta de alto rendimento confirmado para as Olimpíadas de Londres ou uma corrida de automobilismo. O programa é a única fonte de recursos que temos para atender os projetos esportivos. Isso dificulta sobremaneira o estabelecimento de critérios técnicos de atendimento aos projetos cadastrados que pleiteiam recursos.
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