Com direito a dois empates contra a poderosa Noruega, brasileiras terminam invictas série de amistosos em Londres e reforçam confiança em uma medalha.
Empolgante. Assim pode ser definido o primeiro contato da seleção feminina de handebol com a Copper Box, palco da modalidade nos Jogos Olímpicos de Londres. Mais do que conhecer e testar o ginásio onde disputará a competição entre os dias 28 de julho e 12 de agosto, o Brasil volta para casa, após uma semana de treinamentos na cidade inglesa, com resultados expressivos na bagagem: uma vitória fácil sobre a Grã-Bretanha (30 a 18) e dois empates com a Noruega (28 a 28 e 25 a 25), atual campeã olímpica, mundial e europeia.
O último amistoso, contra as norueguesas, aconteceu na tarde deste sábado e encerrou o primeiro período de treinamentos das brasileiras visando os Jogos. Quinta colocada no Mundial disputado em São Paulo, no ano passado, com a melhor colocação da história, a seleção volta a se reunir na Áustria, entre os dia 16 e 22 de abril, para novo período de treinos. Já a última fase da preparação tem início no dia 10 de julho, quando a delegação embarca para amistosos na Alemanha, Holanda e encerra com alguns dias de aclimatação no centro de treinamento do Brasil em Crystal Palace, já em Londres.
Pela primeira vez na Copper Box, o treinador dinamarquês da equipe brasileira, Morten Soubak, foi só elogios para o palco olímpico e falou ainda da importância desse primeiro contato para diminuir a ansiedade durante os Jogos.
- Eu achei a arena muito bonita, colorida, bem legal. Além disso, o torcedor fica perto da quadra, vive um pouco mais o jogo. Quadra, vestiário… Tudo é de primeiro mundo. O ginásio de treinamento também é algo que nunca vi igual. Só a sensação de chegar aqui onde vai ser a Olimpíada, conhecer a quadra onde vamos jogar, sentir a atmosfera, as cores, tudo, é muito bom. Isso tudo tira um pouco daquela ansiedade. Já viemos e sabemos como é. Da próxima vez não vai estar tão vazio (risos), mas tudo bem.
Com capacidade para sete mil espectadores, a Copper Box, que receberá também a esgrima do Pentatlo Moderno e o goalball, modalidade paralímpica, é uma das seis sedes que compõem o Parque Olímpico, e foi concluída em maio de 2011. O complexo conta ainda com o Estádio Olímpico, o Centro Aquático, o Velódromo, a Riverbank Arena, onde serão realizados os jogos de hóquei, e a Arena do Basquete, onde, por sinal, serão realizadas as semifinais e finais do handebol.
Parque Olímpico segue com obras de acabamento
Faltando 124 dias para o início dos Jogos, porém, o local ainda carece de alguns pequenos reparos, como a instalação das bancadas no setor destinado a imprensa. Nos arredores, como já tinha sido possível notar na inauguração do Centro Aquático, há duas semanas, um enorme canteiro de obras ainda toma conta do Parque Olímpico para acabamento e paisagismo, principalmente nas vias de acesso aos locais de competição.
No que diz respeito a parte esportiva, por sua vez, a arena foi aprovada. Assim como Morten, a ponteira Alexandra se mostrou satisfeita com o que viu:
- No geral, eles ainda estão concluindo algumas coisas na parte de fora, mas saber que a quadra de handebol já está pronta foi como um presente. O local é maravilhoso. O piso é muito bom, nem duro nem macio. Está tudo adequado, perfeito. Não tem que mudar nada.
A brasileira, artilheira do último Mundial, com 57 gols, concordou com o treinador também ao falar dos pontos positivos da visita para a participação olímpica do Brasil.
- Em todo Mundial, Pan e Olimpíada, há aquela ansiedade do primeiro jogo. E nós já matamos um pouco disso. Já conhecemos a quadra onde vamos jogar e isso diminui bastante o impacto. Mostra a realidade do que vamos enfrentar nos Jogos.
Confiança na conquista de medalha
Com apenas quatro das 20 atletas convocadas atuando no Brasil, a seleção feminina sonha alto para a participação em Londres. Com o sétimo lugar em Atenas-2004 como melhor resultado da história nas Olimpíadas, a confiança é de que disputar um lugar no pódio é, sim, possível na capital britânica.
- No Mundial, ficou a sensação de que estamos além do que achávamos. Ficamos em quinto com a sensação que poderia ser um pouco mais. Agora, estamos com os pés no chão. Temos que pensar degrau por degrau. Mas há chance de medalha, sim. É possível – definiu Alexandra, que esteve nas duas últimas Olimpíadas.
As boas exibições diante da principal força do handebol mundial no palco olímpico reforçam as palavras da ponteira. Morten Soubak, no entanto, evita excesso de otimismo e aposta na disputa mais equilibrada da história dos Jogos.
- A possibilidade de medalha é, sim, real. Mas também é real a possibilidade de sairmos na primeira fase. O equilíbrio desta vez está muito grande, como eu nunca vi. Pela primeira vez na história do handebol olímpico, temos 11 equipes jogando no mesmo nível. Acho que a Grã-Bretanha não vai ganhar nenhum jogo, mas os demais têm chances de medalha. Vai ser uma briga boa.
Em bom português, o dinamarquês elogiou a postura de sua equipe diante da Noruega. Se no 28 a 28 de quinta-feira, o gol sofrido no fim o deixou com a impressão de que o resultado poderia ser melhor, a reação do Brasil, que tirou uma diferença de 4 gols nos últimos 2 minutos, o deixou orgulhoso.
- Foram amistosos que mostraram do que somos capazes. Ficamos atrás do placar algumas vezes e tivemos poder de reação. Potencial o time tem. Ninguém vai garantir que isso vai acontecer quando for para valer, mas é importantíssimo passar por situações de dificuldade em jogos e saber como lidar com isso.
No total, 12 seleções vão competir em Londres, divididas em dois grupos de seis, com os quatro primeiro classificando-se para as quartas de final. Em Pequim-2008, o Brasil foi eliminado na primeira fase e terminou em nono.
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