Ao contrário da seleção brasileira de futebol, o time nacional de futsal marcou amistosos contra as melhores equipes do planeta no ano que antecede o Mundial. A primeira série de jogos preparatórios aconteceu na última semana, na Rússia. De lá, o técnico Marcos Sorato voltou com uma notícia boa e outra ruim para os veteranos que pretendem jogar a Copa de 2012, na Tailândia.
BETÃO ESTÁ DE VOLTA
Pelo porte físico e característica, Betão é conhecido como o Romário do futsal. Dono de uma posição já incomum em um esporte de intensa movimentação, o paulista provou que ainda tem espaço na seleção ao se destacar na conquista do Mundial de 2008 disputado em casa.
“Não estou vendo muitos jogadores com o meu estilo. Espero estar bem, para ser essa opção. Dependendo do jogo, pode ser importante ter alguém com essa função, mais cravado no na marca do pênalti. Pode mudar um jogo que tenha um oponente com a defesa muito atrás”, avaliou.
Convocado para a seleção pela primeira vez desde março de 2009, Betão já está pensando em jogar o próximo Mundial: “Tem muito tempo ainda, mas o importante é estar bem no clube e fazer boas atuações para voltar. Vou fazer de tudo para estar lá, até porque vai ser meu último. Espero poder ganhar e me despedir da seleção como bicampeão mundial”.
Jogador do Inter Movistar, da Espanha, Betão chegou a ser apontado como o melhor pivô do mundo em uma publicação interna do clube. Ele evitou concordar com essa avaliação e fez questão de lembrar nomes como Lenísio e Vander Carioca. Ao mesmo tempo, exaltou a sua boa fase, com 19 gols marcados em 18 partidas na temporada.
O bom momento na Espanha faz Betão deixar de lado o desejo de retornar ao Brasil. Mas o pivô não descartou essa possibilidade: “No momento não penso nisso, mas se eu tivesse uma boa proposta para voltar e atuar com grandes jogadores com o Falcão e um treinador como o Ferreti, aceitaria sim”.
SAIBA COMO FORAM OS AMISTOSOS NA RÚSSIA
A boa é que o pivô Betão, de 32 anos, fez um bom retorno à seleção depois de quase dois anos sem ser convocado. A ruim é que a primeira derrota para a Rússia na história motivou um alerta quanto à importância do preparo físico dos jogadores. E o astro Falcão foi incluído nesse aviso.
“Ninguém tem vaga garantida. O Falcão precisa recuperar a sua forma ideal. Nos últimos dois anos, ele não conseguiu estar na sua melhor forma física por causa das lesões, e ele precisa saber que tem de estar 100% para poder atuar na seleção”, esclareceu o treinador Marcos Sorato.
A estratégia do técnico para o ano que antecede o Mundial foi pedir à confederação que marcasse amistosos contra as melhores seleções do mundo. Depois de enfrentar a Rússia, o Brasil vai ao Irã no dia 20 de fevereiro para enfrentar a equipe local. Também foram marcados confrontos contra Portugal, Itália e Espanha, ainda sem data definida.
Na Rússia, Sorato convocou apenas jogadores que atuam fora do Brasil. “A nossa ideia era levar a seleção principal, mas no Brasil o pessoal está de férias, e não queríamos expor os jogadores, porque o tempo de preparação foi muito curto”, explicou o técnico.
Mas o treinador avisou que, contra Portugal, em abril, a convocação deverá contar com todos os atletas. “O jogador que vai pra fora do país adquire virtudes, fica mais tático, enquanto o atleta que atua no Brasil é muito mais competitivo. A nossa ideia é juntar essas duas virtudes”, comentou Sorato sobre o time ideal.
Nos próximos amistosos no Irã, o time ainda terá um elenco totalmente ‘estrangeiro’. Dos jogadores que enfrentaram a Rússia, pelo menos um tem vaga assegurada nessas partidas: o pivô Betão, que fez um gol na vitória contra a Rússia e chamou a atenção do treinador.
“Pelos dois jogos que ele fez, garantiu a próxima convocação. Mas não só ele como todos os jogadores com mais de 30 anos precisam estar em forma física ótima para atuar na seleção”, observou Sorato, reconhecendo a importância de contar com um jogador com as características de Betão para armar um esquema versátil, com mais possibilidades de variação.
“O Betão, em forma, é um dos melhores pivôs do mundo. A partir do momento em que ele perdeu sete quilos, ele voltou a ser o Betão do Mundial, aquele que a gente quer ver”, comentou o treinador. “O importante é avaliar todos e fazer a equipe adequada, porque precisamos de um conjunto forte”, completou.
Em 2011, como preparação para a Copa do Mundo marcada para o ano seguinte, o Brasil terá pela frente a Copa América e também o Grand Prix de futsal, além dos amistosos de peso marcados para tentar dar volume de jogo à equipe que tentará defender o título mundial na Tailândia, em 2012.
uol