Com terceiro quarto impecável, equipe paulista abriu 14 pontos de frente, deu uma bobeada, mas teve equilíbrio para arrancar a vitória nos últimos segundos.
Nas outras cinco vezes que jogou em seus domínios nesta temporada do NBB, Brasília foi soberano. Esperava fazer valer a condição nesta quinta-feira, mas o São José não se abateu. Só quis mostrar que quem mandava ali não era o anfitrião. Mesmo sem contar com o armador Fúlvio, lesionado, encontrou em Murilo a solução para pôr fim também à invencibilidade do atual campeão brasileiro em 2012, que tinha vencido os quatro jogos anteriores. Com um terceiro quarto impecável, no qual marcou 32 pontos, o time paulista tinha tudo para ganhar a partida com tranquilidade, só que bobeou. Depois de abrir 14 pontos de vantagem, permitiu a virada no finalzinho e, quando tudo parecia perdido, mostrou força para vencer por 83 a 82 (36 a 42).
- Nós demos uma bobeada no último quarto, depois que abrimos aquela vantagem de 14 pontos. Deixamos eles virarem o jogos. Muita gente achava que o jogo estava perdido. Mas fomos buscar. No pedido de tempo conversamos que dava para ganhar e tínhamos que acreditar. Acreditamos e vencemos – comemorava Murilo, que atingiu um duplo-duplo (24 pontos e 16 rebotes).
O jogo
Desfalcado, São José caprichava na defesa. Precisava evitar que o adversário encontrasse facilidade no caminho até a cesta. Precisava também errar pouco no ataque, caso contrário os donos da casa usariam sua melhor arma: a velocidade. O time paulista conseguiu equilibrar as ações, chegou a comandar o marcador (16 a 15), mas o Brasília estava atento e fechou o primeiro quarto na frente: 18 a 16.
Fez melhor no comecinho do período seguinte. Marcou sete pontos seguidos contra nenhum do rival e obrigou o técnico Régis Marrelli a pedir tempo. Apesar do esforço de Murilo, Dedé e Jefferson no ataque, o São José já não defendia como antes e permitia os contra-ataques tão temidos. Permitia a enterrada de Alex, que levantou a arquibancada. A diferença girava na casa dos seis pontos e o momento de trabalhar mais a bola. Só que um chute longo certeiro de Laws (36 a 33) fez o técnico José Carlos Vidal dar uma chamada em sua equipe. Era um trabalho para Alex e Arthur, que partiram em velocidade para fazer 42 a 33. Laws, de novo, anotou mais uma cesta de três. Pouco depois, acertou uma de antes do meio da quadra, não validada porque o cronômetro já tinha zerado: 42 a 36.
Na volta do vestiário, estava difícil parar Murilo. Liderado pelo pivô, São José fez 7 a 0, conseguiu a virada e não olhou para trás. Preciso da linha dos três, o time teve sucesso em quatro tentativas seguidas, abrindo 56 a 44. A torcida tentava ajudar vaiando o adversário, mas não adiantava muito. Enquanto a equipe de Murilo tinha feito 24 pontos no quarto, a de Brasília só havia anotado quatro. E quando foi ver tinha 14 pontos de desvantagem: 68 a 54.
O atual campeão precisava agir rapidamente. Foi para cima, apertou a marcação e cortou a diferença para 72 a 65. Se São José desperdiçava oportunidades, Nezinho tratava de aproveitá-las. Da linha de três, fez a arquibancada acordar e o seu time se aproximar de vez: 75 a 71. Ainda restavam três minutos. Falta em Nezinho e dois pontinhos passaram a separar os times no marcador. São José desperdiçava lances livres e não conseguia desgarrar. Perdia ataques também e um deles ligou o contra-ataque concluído por Guilherme Giovannoni que, a 1m51s, obteve o empate e ainda tomou falta. Virada: 78 a 77.
O rival sentiu o golpe, se precipitou ofensivamente. Tinha 27s para tentar mudar o placar (80 a 77). Jefferson foi para linha de lance livre e só acertou o segundo. Do outro lado, Arthur converteu os dois, quando faltavam 15s para o fim (82 a 78). A situação estava complicada para São José. Laws diminuiu a frente para dois novamente. Vidal parou o jogo. Brasília não podia errar. Mas errou. Numa bobeada na reposição de bola, Ricardo Fischer se antecipou, conseguiu a roubada e deixou tudo igual. Ainda sofreu falta e recolocou sua equipe em vantagem: 83 a 82. Nezinho partiu para o ataque, tomou toco de Murilo e viu a vitória escapar.
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