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Goiás ensina basquete no país da Copa

Posted on 14 junho 2010 by hugo

projeto_basquete_baA capital da África do sul respira futebol com a Copa do Mundo. Milhares de pessoas de todas as partes do planeta estão envolvidas no evento, que termina dia 11 de julho. São projetos em todos os setores da sociedade sul-africana, alguns não ligados à Fifa. Um exemplo é o programa Brasil e África: um povo uma nação. São 200 voluntários que prestam assistência a comunidades carentes em Johannesburgo, a maior cidade do país-sede da Copa. E entre eles está Wagnér Costa, de 60 anos, professora de Educação Física e técnica de basquete em Goiás.

Ela chegou a Johnnesburgo no dia 2 de junho para ministrar clínica de basquete para jovens carentes. Foi convidada para a viagem por fazer parte do grupo Atletas de Cristo e ainda por ter feito um curso de capelã para trabalhar com crianças.

Wagnér também acumula experiência na área de assistência a jovens, já que em Goiânia desempenha função semelhante ao manter uma escolinha de basquete, em parceria com a Agência Goiânia de Esporte e Lazer (Agel), no Parque Mutirama e no Ginásio Rio Vermelho com quase cem garotos participantes de idades variadas.

Wagnér chorou (inclusive durante entrevista ao POPULAR) e confessou que se surpreendeu com a cidade sul-africana. A emoção, segundo a professora, foi ao visitar um museu em Soweto e ver fotos do período do apartheid (1948 a 1990). “As imagens são fortes. As fotos mostram o quanto o povo negro foi perseguido e maltratado. Isso mexeu comigo e caí no choro”, conta Wagnér, com lágrimas nos olhos.

Em Soweto, ela foi ao local que serviu de prisão para Nelson Mandela, principal representante do movimento antiapartheid e que ficou preso por mais de 27 anos. “A prisão é outro lugar que faz a gente pensar um pouco no passado e o quanto o povo sofreu. As celas eram pequenas para tanta gente.”

Em outro bairro visitado, o Troguile, uma nova decepção para a professora. Ela pensou que estaria chegando a uma região de padrão alto financeiro pelo tamanho das casas. Só que em cada residência moram cerca de dez famílias. Ouviu como explicação para a situação que as casas pertenciam aos brancos, que saíram do local logo após o fim do apartheid.

Surpresa
A surpresa da professora de Goiás foi verificar que não existem só pessoas carentes em Johnnesburgo. Ela constatou isso ao passear pelo Eastgate Shopping, um dos maiores da cidade. “Aqui (Johannesburgo) fica evidente a existência de dois mundos. De um lado, a miséria. E de outro, um ótimo padrão social. Nunca imaginei isso. Pensei que na África fosse só submundo. A TV nos passa essa imagem negativa. Aqui tem coisas belas também.”
 Uma das atividades que marcou a memória da professora foi a clínica em uma escola muçulmana no bairro de Germiston. As meninas eram maioria entre os participantes. Wagnér se surpreendeu com o espaço aberto pela comunidade para o esporte e mais ainda pelo envolvimento das garotas. “Elas vibravam com a oportunidade de jogar basquete. Vi isso na carinha feliz de cada uma. É muito gratificante.”

Sobre a Copa do Mundo, Wagnér não terá oportunidade de ver nem o jogo de estreia da seleção brasileira contra a Coreia do Norte, amanhã, pois volta ao Brasil antes do início do jogo. Segundo ela, deixará 23 pacotes com alguém do grupo para tentar entregar aos jogadores brasileiros. São DVDs e CDs com conteúdo religioso.

“A minha missão em Johannesburgo é levar a mensagem de amor, esperança e fé em Deus por meio do esporte”, disse a professora, que é conhecida entre os membros do projeto por Da Rocha. É dessa forma, mas por pura brincadeira, que ela chama todos, inclusive seus alunos da escolinha de basquete.

 Projeto tem voluntários de vários estados do País

Johannesburgo- A professora de Educação Física de Goiás, Wagnér Costa, faz parte do projeto Brasil e África: um povo uma nação, um dos programas do Conexão África, que reúne profissionais de diversas áreas e de todos os Estados do Brasil. Eles ficam na África do Sul até o final da Copa do Mundo. Um grupo volta para casa terça-feira e outro chega. “Entra para projeto quem deseja levar a palavra de paz, ensinar a importância da família e de Deus na vida das pessoas e ainda passar valores importantes da nossa sociedade, como respeito, lealdade e amizade”, afirma o coordenador do Conexão África, Leonardo Boelho, de 27 anos.

O principal pré-requisito para integrar o projeto é ser cristão. Em Johannesburgo, estão os evangélicos de diversas denominações. São cabeleireiros, médicos, odontólogos, técnicos de futebol, basquete e handebol e ex-atletas de artes marciais no grupo de 200 voluntários. Além da doação do trabalho, segundo Leonardo, cada um arcou com as despesas de aproximadamente US$ 2,5 mil (R$ 4,5 mil). Eles estão num alojamento e contam com auxílio em transporte e alimentação.

A Copa do Mundo, de acordo com o coordenador, foi o período escolhido porque a população está mais receptiva para os estrangeiros. Foi assim nos Jogos Pan-Americanos do Rio, em 2007, e nova etapa está programada para o Pan do próximo ano, no México. As clínicas de basquete, futebol e handebol são para crianças e jovens. Há apresentação de arte marcial e os voluntários visitam hospitais e asilos. Outros são responsáveis pela parte de recreação.

 

O popular

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