A entrada na zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro, a derrota para o penúltimo colocado da competição (Avaí), além da pressão pelos seis jogos sem vencer não serão as únicas adversidades que o Atlético enfrentará amanhã, diante do São Paulo, em pleno Morumbi. Ontem, a equipe ficou oficialmente sem técnico.
Paulo César Gusmão estava afastado do clube desde sexta-feira, quando viajou para o Rio, a pedido de seu pai, que está internado em estado grave por conta de complicações oriundas de câncer pulmonar. Ontem, após voltar do Rio, onde se encontrou com o treinador, o diretor de futebol do clube, Adson Batista, anunciou o desligamento de PC Gusmão.
“O Atlético não pode esperar mais, pois passa por um momento difícil na classificação e precisa da referência de um treinador. O PC não está com cabeça para vivenciar este momento do Atlético. Eu e ele tomamos essa decisão em comum acordo. Fica nosso respeito e consideração pelo PC, que é um grande homem e foi muito honesto conosco”, disse Adson.
Desde que chegou ao Atlético, em abril, PC Gusmão comandou a equipe em 15 jogos ( veja quadro ) e levou o Dragão à conquista do inédito bicampeonato goiano. Independentemente do sério problema familiar, o treinador já balançava no cargo após mais de um mês sem vitória.
Agora, Adson corre em busca de um substituto para PC Gusmão. “Sem treinador, o Atlético não pode ficar. Estamos avaliando isso com muito critério”, ressalta. “Para trabalhar na Série A em um time emergente, o treinador tem de ter um algo a mais e ser experiente”, afirma o dirigente, ressaltando a dificuldade financeira pela qual o clube passa.
Nomes como os de Mauro Fernandes, René Simões, Geninho, Artur Neto e Sérgio Soares chegaram a ser ventilados no clube, mas nenhum teve a confirmação de Adson, que não descarta a hipótese de contratar um técnico que esteja na Série B do Brasileiro. “São treinadores que têm seu valor e que respeitamos muito. Não descarto nada. Tudo pode acontecer. Não temos de nos desesperar, mas temos de encontrar um treinador com o perfil do clube e que possa tirar o máximo de cada jogador”, pondera.
Jairo Araújo, que encerrou a carreira como zagueiro ao fim do Campeonato Goiano, tornou-se auxiliar técnico de PC Gusmão. Agora, ele assumirá interinamente o comando da equipe na partida de amanhã, contra o São Paulo, às 18h30, no Morumbi. O preparador físico Jorge Soter permanece no clube.
Os jogadores lamentaram a saída de PC Gusmão, mas gostaram da indicação de Jairo e esperam até mesmo que este seja efetivado. “A gente gostava e confiava no trabalho do PC. Mas temos de superar logo isso junto com o Jairo, que é um grande companheiro, é sério e competente”, afirma Márcio, goleiro e capitão do time.
Ontem, Jairo definiu, em coletivo, a formação que enfrentará o São Paulo amanhã. O interino posicionou a equipe de uma forma mais cautelosa com uma novidade no meio de campo. Sem poder contar com Pituca, que se recupera de lesão no tendão de Aquiles, Jairo colocou o volante Rômulo, abrindo mão de um atacante – Felipe, que jogou contra o Avaí.
Dessa forma, a defesa será mantida, e Anselmo será o único atacante de origem, mas com o rápido Vítor Júnior encostando na frente. Com a saída de PC Gusmão, Jairo recebeu carta branca da diretoria para tomar as decisões dentro de campo. Com isso, o jovem Renato Augusto, preferido por PC, perdeu espaço para Rômulo, que foi “esquecido” por PC após uma falha na derrota para o Figueirense (2 a 0), em Florianópolis.
“É uma oportunidade de voltar a ser titular que quero agarrar. Não vim para ser titular, mas não quero ser reserva. Não quero ser come e dorme no Atlético. Vamos dar a vida pelo Jairo, fazer o melhor por ele e pelo Atlético”, desabafa Rômulo.
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