Aos 3 anos, Fernanda Pimentel de Araújo brincava numa academia de karatê, em Inhumas. Chegou à faixa preta, foi ao Mundial e ganhou títulos pelo País na modalidade. Aos 12 anos, ela se apaixonou pelo judô e, orientada pelo mestre Lhofei Shiozawa, também conquistou medalhas. Oito anos depois, a atleta goiana entra em uma nova fase na carreira. Hoje, em Salem, no Estado de Massachusetts (EUA), Fernanda faz sua primeira luta de MMA (sigla em inglês para Artes Marciais Mistas), contra a norte-americana Peggy Morgan.
Em janeiro de 2010, Fernanda foi morar em Boston a convite de Jimmy Pedro, atual técnico da seleção americana de judô. O objetivo da mudança foi aperfeiçoar a sua técnica para buscar a vaga nos Jogos Olímpicos de 2016, que serão realizados no Brasil. Mas uma série de fatores motivou sua entrada no octógono do MMA.
Primeiro, a goiana confessa a sua fraqueza no judô. “Com Shiozawa, aprendi a praticar o judô em pé, que é o verdadeiro e tradicional, e sempre tive deficiência de lutar no chão”, contou Fernanda, por e-mail. Ela teve de mudar de categoria ano passado – de menos 57kg para menos 63 kg – porque não conseguia controlar o peso em função da alimentação e do frio em Boston. “Nessa categoria se usa mais força e estava tendo muita dificuldade na pegada, faltava força nas mãos”, explicou. A judoca, então, contratou um personal trainer, Richie Kalaydjiana, para trabalhar na preparação física e no jiu-jítsu para melhorar a luta de chão.
Richie, segundo Fernanda, levou-a para algumas competições de submission wrestling (uma mistura de judô, jiu-jítsu e wrestling sem quimono). “Mesmo só treinando judô, acabei ganhando algumas lutas nas competições de wrestling. Daí, surgiu a ideia de treinar para essa luta do MMA.” A estreia, hoje, não vale cinturão nem título. Porém, o combate é obrigatório para que a goiana possa entrar nos desafios profissionais mais tarde.
Fernanda começou a treinar há três meses no MMA com o brasileiro José Adriano Melo, especialista em jiu-jítsu e muay thai, na academia Nova União, em Somerville.
Futuro
Apesar de o judô ser a sua prioridade na temporada, ela não descarta continuar nas lutas do octógono. “Me dedico aos dois no momento, pois, nesse período de férias, o judô entrou de recesso e pude intensificar a preparação para a luta. Depois vou conversar com o meu pai (Luiz Fernandes de Araújo Júnior, que está nos Estados Unidos para acompanhar o evento) e o Jimmy para avaliar e tentar conciliar. Mas minha prioridade, sem dúvida, é o judô, pois meu foco é a seleção brasileira e Olimpíadas.”
Para a goiana, a técnica do judô é mais usada no MMA para conseguir jogar o oponente e finalizar. “Todos lutadores de MMA treinam judô. Espero poder usar minhas técnicas de judô nesta luta”, afirmou.
Altura da adversária é o primeiro obstáculo
O primeiro obstáculo para a judoca goiana Fernanda Pimentel de Araújo na luta de MMA, hoje, em Somerville, no Estado de Massachusetts (EUA), é superar a altura da rival, a norte-americana Peggy Morgan, de New Hampshire.
Fernanda Araújo é cerca de 20 centímetros mais baixa – a norte-americana tem 1,80 metro e, a goiana, 1,62 metro. “Espero que prevaleça o ditado popular que diz que ‘tamanho não é documento’. Vou tentar encurtar a distância e levar a adversária para o chão, acreditando que posso vencer mais esse novo desafio”, disse a judoca de Inhumas, que tem experiência em competições internacionais.
Segundo Fernanda, no últimos três meses ela treinou em média quatro horas por dia. Além da preparação física, intensificou os treinos no judô, muay thai, jiu-jítsu e wrestling. “Tento controlar minha ansiedade, pois sei que, no momento, o meu maior adversário é o tempo até o início da luta”, confessou a goiana.
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