Em má fase desde a semifinal do Goianão, capitão colorado acredita que duelo com Goiás pode marcar um recomeço na temporada.
O dia 1º de maio ainda está vivo na memória de Roni. Principal jogador do Vila Nova, o atacante marcou um gol de pênalti aos 6 minutos do segundo tempo e tudo levava a crer que a equipe colorada estaria na final do Campeonato Goiano. Aos 8, era a chance de confirmar a classificação. O capitão recebeu na área, livre, mas finalizou na trave. Era o início de uma fase ruim e duradoura.
Após aquele lance, o Goiás equilibrou, empatou a partida com gol de Carlos Alberto e avançou na competição. O Tigre estava eliminado, mas o pior estava por vir. Entre provocações e comemorações, uma briga generalizada foi iniciada e deixou sequelas na história do principal clássico goiano.
Três meses após o episódio, as duas equipes voltam a se enfrentar, amanhã, às 16h20, pela Série B, e Roni ainda lamenta tudo o que aconteceu naquele dia no Serra Dourada.
“Por eu ser vilanovense, aquela derrota me machucou muito. Até hoje eu ainda sofro bastante com aquele jogo, achando que poderia ter sido diferente. Foi uma tristeza muito grande. Nas primeiras semanas eu não consegui reagir da maneira que tinha de reagir e pode ser que isso tenha sido um fator que me atrapalhou no começo, mas não acredito que isso influencie até hoje”, garantiu.
Desde que retornou ao clube, em fevereiro de 2010, Roni está acostumado à pressão e aos momentos de turbulência. Porém, nenhuma derrota foi tão sentida como a eliminação sofrida para o rival no Estadual deste ano.
“Já tive muitos momentos ruins na carreira, de muita tristeza. Um deles foi o rebaixamento no Fluminense (em 1997, caiu para a Série B e, em 1998, para C). Agora no Vila, jogando, eu não tinha uma derrota como aquela. Mas, de repente, tudo pode mudar. Eu tenho fé que vai mudar”, explicou.
No Goianão, Roni marcou 12 gols em 18 jogos, média de 0,6 por partida. No Brasileiro, a história é inversa e a má fase está nos números. Nas 13 vezes em que entrou em campo, o capitão marcou só 4 gols, 50% do aproveitamento que apresentou no Estadual. Para piorar, metade ainda foi de pênalti.
A má fase se refletiu nas arquibancadas e na partida contra o Salgueiro alguns torcedores o vaiaram. Porém, nada a que o camisa sete não esteja acostumado. “Jogador precisa de ter tranquilidade para trabalhar. Eu sei que a pressão está toda em mim, mas isso é pelo meu potencial. Muitos torcedores me encontram na rua e me apoiam. O que eu vejo na rua não é bem o retrato do que aconteceu no último jogo. Estou bem tranquilo e espero jogar bem. Fase ruim não tem hora para chegar, mas sempre termina. Tomara que ela acabe no clássico”, disse.
Roni reconhece a má fase, mas acredita que não é o único que está deixando a desejar no Vila Nova. “Vejo o jogo como importante não só para mim, mas para o grupo inteiro. É o jogo para recuperamos a nossa autoestima. Não é só eu que estou mal, a verdade é que ninguém está bem. Todos precisam melhorar individualmente para que o time cresça coletivamente”, analisou o atacante.
Diferente do que aconteceu em maio, Roni torce para que o clássico de amanhã seja lembrado pela paz. “Torcedor tem de ir ao estádio como lazer. Vale provocar, brincar, mas não pode ter mais confusão. Nós jogadores vamos ao estádio apenas para jogar futebol. Conheço bem o pessoal do Goiás, principalmente o Harlei, e sei que eles têm esse mesmo pensamento. Espero que o torcedor respeite o próximo e que nada de ruim aconteça.”
INDEFINIÇÃO
Em mais um treinamento fechado, o técnico Hélio dos Anjos comandou um trabalho tático no OBA, mas não divulgou a escalação e o esquema que utilizará no confronto com o Goiás. A concentração para o clássico teve início ontem e o meia David está relacionado.
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