Goleira Chana foi a melhor do jogo, em que o técnico Morten deu um nó tático rival francês.
“Podemos esperar cem anos para acontecer de novo”, disse Morten Soubak, o técnico do Brasil, sobre a vitória contra a França na noite desta terça-feira (6), no ginásio do Ibirapuera, pelo Grupo C do Mundial Feminino de Handebol que está sendo disputado em São Paulo.
Não apenas a vitória sobre as vice-campeãs mundiais foi rara, como a torcida presenciou uma virada histórica, com sete gols sobre as rivais no segundo tempo, ganhando por 26 a 22 depois do primeiro tempo atrás em 10 a 17.
A defesa foi mais agressiva e a goleira Chana ainda brilhou no segundo tempo, conseguindo um “bloqueio” – de vôlei – e ainda uma defesa de tiro de sete metros – como um pênalti de futebol. Com a vitória, a seleção brasileira está classificada para as oitavas de final e só dependerá dela quando à colocação – pode sair como primeira colocada, caso vença também a Romênia na quinta-feira (8) e a Tunísia.
A França fechou a primeira etapa até com certa tranquilidade, com as brasileiras contribuindo com muitos erros de ataque. No segundo tempo, o técnico Morten, dinamarquês-brasileiro, mudou taticamente a defesa de 6-0 para 5-1, com um “bico” como ele explicou, encravado no ataque das rivais, e também colocando as jogadoras mais adiantadas, para tentar anular a força física delas. O que deu certo.
Oliver Krumbholz, o técnico francês, cumprimentou o Brasil e se limitou a dizer que no segundo tempo sua seleção jogou muito mal – “no primeiro, o Brasil jogou mal; no segundo, jogamos mal – é a vida”. Não respondeu a uma pergunta sobre o que teria aprendido da partida, observando que “começos de Mundiais são assim e que campeonatos como este sempre serão muito difíceis”.
Mas, considerado um dos grandes estrategistas do handebol mundial, com certeza sentiu o baque de não se desvencilhar da mudança brasileira que colocou sua equipe sob pressão para cometer muito mais erros no ataque.
- Ele sabe bem o que aconteceu, tenho certeza. E não conseguiu sair. Hoje, pelo menos, ele não soube sair.
Morten também considerou a partida como a mais importante em sua carreira como técnico do Brasil – que não é tão extensa como a da goleira Chana, de 32 anos, que chorava em quadra mesmo antes da partida terminar, ouvindo seu nome gritado pela torcida.
- É o jeito dela. Chamou a torcida. No primeiro tempo, o Ibirapuera estava torcendo; no segundo, participando. E para mim faz muita diferença. Acho mesmo que, quanto maior o apoio da torcida, mais longe nós vamos.
Melhor jogo em Mundial
A goleira Chana, além de ter afirmado que a virada histórica sobre a França na noite desta terça-feira (6) foi seu melhor jogo pelo Brasil, em Mundiais, destacou a defesa da seleção e a mudança tática, dizendo que “buscar sete gols, e ainda contra a França… é porque é brasileiro, mesmo, porque é preciso muita raça para conseguir”.
A jogadora lembrou, no entanto, que é preciso pé no chão, porque a partida foi “apenas um passo” no Mundial e há erros a serem corrigidos – um deles, “não deixar abrir a contagem desse jeito”.
Duda, literalmente “gigante” na defesa com 1,86 m comentou que na segunda etapa a seleção partiu, sim, para uma postura mais agressiva em relação às faltas, além de acertar a parte tática.
- Agora temos de pensar que a Romênia, como a França. é uma equipe de força e com jogadoras que treinam praticamente o ano todo juntas, em casa. E tem muita tradição.
R7
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