A poucos dias de se tornar a primeira brasileira a correr numa etapa de uma categoria nobre do automobilismo mundial, a paulista Bia Figueiredo, de 24 anos, dispensa a pressão. “Eu não tenho uma meta, porque é fácil se frustrar no automobilismo. Como é minha estreia, em casa, estou colocando zero de pressão”, disse a piloto, que vai disputar a etapa de São Paulo da Fórmula Indy, domingo, em entrevista ao POPULAR.
Num evento comemorativo do Dia Internacional da Mulher, Bia Figueiredo lembrou as dificuldades do início da carreira num ambiente dominado por homens. “No kart me tiravam da pista. Até na Fórmula Renault, em 2005, perdi um título porque me colocavam para fora nas corridas”, lembrou Bia, que nos Estados Unidos, onde começou a correr em 2008, na Indy Lights, é mais conhecida pelo dois primeiros nomes, Ana Beatriz.
Com as unhas pintadas de vermelho, maquiagem leve, cabelos com mechas e sobrancelha feita, Bia contou que nunca teve uma referência feminina no automobilismo. E se tornou uma.
Bia foi a primeira mulher a vencer na Indy Lights – em 2008, ano de estreia na categoria, venceu em Nashville e, no ano passado, venceu em Iowa – e na Fórmula Renault – campeã de três corridas em 2005. Agora, vem o maior desafio. “Vai ser muito especial. Primeiro, por chegar a uma categoria top. E aí vem bônus de ser a primeira mulher brasileira, o que é muito legal. É sempre bom fazer história”, comentou Bia.
primeiro treino
A carreira de fórmula da piloto começou num autódromo que hoje está inativo e abandonado. Foi em Goiânia que Bia fez o primeiro treino num carro, depois de deixar o kart, em 2002. A bordo de um Fórmula 3, a piloto paulista deu cerca de 150 voltas na pista, em dois dias de testes. Ela lamentou a atual situação da pista goiana. “É uma pista que tem espaço para o piloto cometer erros e é rápida. É uma pena ter sumido do calendário”, afirma ela – o autódromo de Goiânia não recebeu provas nacionais no ano passado, o que se repetirá em 2010.
Para a sequência na carreira, Bia é realista. Gostou da Indy, se sentiu bem no automobilismo americano e é lá que pretende seguir, sem pensar em Fórmula 1, que é o sonho de todo piloto. A categoria é até mais acostumada à presença feminina.
Domingo, além da piloto paulista, três outras mulheres vão disputar a etapa de abertura da temporada. A maior referência é a americana Danica Patrick, de 27 anos, que está na categoria desde 2005.
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